


Esse diário foi inspirado pelo vídeo abaixo:
Anish Kapoor comprou os direitos de um pigmento que ele não inventou e chamou de arte.
Damien Hirst pagou um pescador para matar um tubarão “grande o suficiente que poderia comer alguém”, e botou no formol pra chamar de arte.
Jeff Koons não é o artista por trás de suas esculturas gigantes.
Resumindo, desde que se tenha uma boa história pra contar e $$$, um pedaço de papel em branco pode ser sua obra de arte.
A gente sabe que a arte é um mercado sistematizado. Eu sou formada em artes plásticas, com mestrado em arte e cultura. Eu já li os livros de teoria de arte moderna, contemporânea, conceitual... E admiro diversos artistas desses nichos e me identifico com vários.
Mas…
Nesse caso acima, esses artistas estão pegando o trabalho de outras pessoas, monetizando e recebendo o crédito. É isso, não é? Não parece exatamente o comportamento das big techs e suas IAs?
Isso porque começamos a valorizar a ideia ao invés do ócio, então desde que alguém me dê ordens do que fazer e como fazer, o crédito vai para o idealizador. E isso adentrou o mundo das artes nos anos 50.
Desde que eu saiba me comunicar e expressar claramente o que eu quero, o trabalho é feito por mim e eu fico com o crédito. Parece familiar?
Sabe esse conflito? Ter ideias é muito importante. Fazer também é muito importante! Mas e saber fazer (ter a ideia e agir sobre ela)?
Eu cresci ouvindo que conhecimento é a única coisa que ninguém tira da gente. Isso ainda importa?
Como muito bem disse o vídeo acima: We put profits above people.
(como eu tô ensinando inglês pra vcs vou me sentir no direito em deixar sem tradução mesmo hein)
Se a gente só aprende a se comunicar com a função de gerar lucro, o que será de nós daqui pra frente… Precisamos ter autonomia e ser capazes de subverter as tecnologias que nos são empurradas.
Eu voltei a desenhar com o intuito de sair desse mundaréu de teorias das artes e ficar mais off. Troquei o desenho mais “artístico” para um viés técnico por necessidade de aprender mesmo, de saber fazer. A partir daí vamos ver no que dá!!
Esses foram os pensamentos de hoje.
Para ler mais sobre arte em inglês, fica aí a recomendação do dia:
The Fluxus Virtual, Actually - by Natilee Harren
https://www.on-curating.org/issue-51-reader/the-fluxus-virtual-actually.html



